"Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja. Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas eu despejo Whisky sobre ele e inalo fumaça de cigarro e as putas e os atendentes dos bares e das mercearias nunca saberão que ele está lá dentro. Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas sou duro demais com ele, e digo, fique aí, quer acabar comigo? Quer foder com minha escrita? Quer arruinar a venda dos meus livros na Europa? Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas sou bastante esperto, deixo que ele saia somente em algumas noites quando todos estão dormindo. Eu digo, sei que você está aí, então não fique triste. Depois coloco de volta em seu lugar, mas ele ainda canta um pouquinho lá dentro, não deixo que morra completamente e nós dormimos juntos assim com nosso pacto secreto e isto é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e você?" (Charles Bukowski - Blue Bird)
Todas as imagens que costumo visualizar relacionadas a este poema, representam exatamente o que é relatado: uma pessoa cabisbaixa, embriagada, com um maço de cigarros ... Sempre que compartilhei estas frases expostas a cima do velho, safado e escritor, Charles Bukoswski, sentia-me triste e angustiada. No relato, esta pessoa sofre por não expor a sua verdadeira identidade, em alguns casos vive acorrentada em alguma alma, usa algemas, ou melhor, possui um relacionamento um tanto não saudável onde perde-se a liberdade. O que hoje em dia é absolutamente comum de se deparar, casais que não possuem limites e acabam se perdendo por ter mantido o seu pássaro azul em uma gaiola dentro de si, não permitindo que ninguém o conheça. Porém chega um momento que os pássaros que ali são aprisionados perturbam, cantam tão alto que tentam fazer com que a pessoa que está ao seu lado ouça, clamando por liberdade. Quando deparei-me com esta fotografia, lembrei no mesmo instante do poema e também do momento que vivo, pois os pássaros que incomodaram tanto e não foram atendidos, lutaram. Hoje são livres.

Nenhum comentário:
Postar um comentário